Descrição
Eu não procuro ser entendida, e sim aceita no mundo, sem perguntas e sem críticas.
Descrição
+
+
+
+
"

Somos todos
um bando de viciados,
enquanto o mundo
não para nunca,
acelera
e nos engole.

Viciados
nas imagens cinematográficas
no noticiário da Folha de domingo
no rebolado de Cecília na avenida
na bebida, no Malboro, na escrita,
no sorriso escancarado de Joel
no espetáculo tragicômico da vida
no amor
na ferida
nas flores que despistam a morte
na despedida.

Somos todos
um bando de viciados
enquanto o caos
não para nunca,
acelera
e nos engole por dentro.

E depois do estrago o suicídio abre as gavetas
e escrevemos todas as magoas, as metades, as perdas
escancaramos nossas almas sem sinal nem cortinas
iniciamos o espetáculo da utopia desvanecida
porque chorar se torna medíocre
porque as mãos estão suadas e escorregadias
porque você não se cansa de ir embora
porque a visão não permite mais o foco

e a realidade escapole e afoga
e o amor alucina e ressuscita a única saída,
a poesia.

Somos um bando de poetas enlouquecidos.

"
Elisa Bartlett.  (via oxigenio-dapalavra)
+
+
obeyny:
“ æ
”
+
"Sempre tive tendências suicidas. Meu pai dizia que desde bem pequena gostava de fazer coisas bem perigosas, apoiar a almofada do quarto na grade de cordas que protegia a janela e encostada ali ler um bom livro durante horas, andar em cima de muros como se andasse em solo firme cantarolando alguma linda canção, debruçar nas janelas deixando mais de meio corpo para fora achando graça e gargalhando alto, se esticar todinha para fora da janela do carro em alta velocidade na estrada de Brasília só pra sentir o vento entrando pelos olhos, boca e ouvidos, apostar que poderia ir e voltar três vezes mergulhando na piscina do sitio, tarefa praticamente impossível, mas que sempre executava com perfeição e ao final do grande feito saia se gabando como se tivesse ganhado o universo. Nunca tive medo de morrer, talvez seja porque sempre tive fascínio pela liberdade e infelizmente a própria condição humana nos coloca dentro de um corpo limitado, que por sua vez vive em uma sociedade mais limitada ainda, por não saber conviver com as diferenças. Sempre achei que a liberdade tinha a ver com o fato de entender e aceitar o outro. Vivemos olhando o mundo por uma fechadura, deveríamos olhar a vida de cima. Sempre quis me ver livre dessa condição humana idiota. Pra mim o pior castigo de todos sempre foi viver presa a este corpo sucumbido a tantas regras imbecis. Deveríamos nos rasgar para escapulir todos os sentimentos. O mundo se tornaria poesia e nela viveríamos livres e felizes, Há quem diga que isso não passa de um delírio, uma alucinação. Pois não o trocaria por nenhuma sanidade conveniente. A minha liberdade é o meu fio condutor, sem ela jamais me arriscaria, jamais seria tal criatura feliz e aparentemente suicida e a morte, com certeza meu caro, seria algo certo, estupido e bem casual."
Elisa Bartlett.  (via oxigenio-dapalavra)
+
+
Esse post pode conter conteúdo adulto, então o ocultamos da visualização pública, ok?
Mais informações.
+